Pesquisa da USP mostra benefícios à saúde pelos transportes públicos e reorganização urbana

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Ônibus na região metropolitana de São Paulo. Novo estudo da USP mostra a relação entre saúde e transporte público. Pesquisa mostra que o ideal são investimentos em transporte coletivo somados a uma reorganização urbana para que as pessoas não precisem fazer longas viagens para chegar aos seus destinos. Foto: Adamo Bazani.

Planejamento urbano e transporte coletivo trazem bons impactos à saúde, diz nova pesquisa da USP
Caminhar ou pedalar até o transporte público pode ser tão benéfico quanto ir a academia
Texto: ADAMO BAZANI – CBN
Com informações Agência USP
Imagine gastar em torno de R$ 7,00 por dia para fazer academia.
Não, não é nenhuma promoção ou lançamento de novo programa de atividades físicas.
É o que indica uma nova pesquisa da USP – Universidade de São Paulo sobre saúde de quem vive na região metropolitana.
Andar a pé ou de bicicleta até o transporte coletivo todos os dias para trabalhar ou estudar pode gerar um nível de atividade física semelhante a frequência de exercícios leves numa academia.
Hoje um dos grandes problemas nas cidades, ligados à dependência do uso do carro ou moto, é o sedentarismo que pode levar a sérios problemas como no coração, no metabolismo, perda de massa muscular, de consistência óssea, obesidade, diabete e colesterol.
Os pesquisadores Thiago Hérick de Sá, Carlos Augusto Monteiro e Diana Parra, do Nupens – Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da USP, avaliaram qual o impacto na saúde das pessoas com uma mudança no perfil dos deslocamentos municipais e metropolitanos e de um planejamento urbano mais adequado, com polos de geração de emprego e renda mais próximos das casas das pessoas e melhor infraestrutura para bicicletas e transporte coletivo. O tempo gasto nos deslocamentos também foi avaliado e relacionado à saúde e bem estar.
Foram usados dados da mais recente pesquisa de origem e destino do Metrô de São Paulo, com análise da demanda de pessoas com idades entre 18 e 60 anos na região metropolitana.
O grupo dividiu as viagens em dois momentos: de forma ativa, que representa os deslocamentos a pé e de bicicleta até o transporte público, e a forma não ativa, sentado no carro ou sentado e em pé no ônibus, trem ou metrô.
Os estudiosos então desenharam três cenários diferentes alterando os tempos de viagens e os modais escolhidos.
1º) Troca em viagens curtas (até um quilômetro) de carro ou transporte público por caminhada: os ganhos de saúde individual seriam grandes, mas do ponto de vista de saúde global da população, seriam limitados. Por habitante, o tempo diário de deslocamento na região metropolitana de São Paulo é de 86,4 minutos, dos quais 19,4 minutos de forma ativa e 67 minutos inativos. Se a troca fosse feita, este tempo iria para 86,2 minutos, sendo 19,6 ativos e 66,4 inativos.
2º) Troca de meio motorizado individual (carro e moto) por transporte público: há um ganho e uma perda. O ganho é que as pessoas se movimentam mais, melhorando a saúde. Somente de transporte individual, gastariam 86,4 minutos de forma inativa. Com o transporte público, o deslocamento ativo, ou seja, a pé ou de bicicleta, é de 19,6 minutos – este é o ganho. A perda é o tempo total de viagem, que subiria dos atuais 86,4 minutos para 100,4 minutos. O estudo mostra assim, a necessidade de investimentos em estruturas como corredores de ônibus e vias férreas para a diminuição do tempo de viagem no transporte coletivo.
3º) Mescla dos cenários 1 e 2, com deslocamentos a pé e de bicicleta com o transporte coletivo, mas com um reordenamento urbano da região metropolitana, reduzindo a distância entre as casas das pessoas e os locais de trabalho e estudo. Neste terceiro cenário, a metade das viagens atuais seria reduzida para deslocamentos curtos feitos apenas de transporte coletivo. O tempo de deslocamento cairia dos atuais 86,4 minutos para 52,9, sendo 26,2 minutos de forma ativa: caminhando ou pedalando.
Assim, a pesquisa mostra que a dependência do carro, pela falta de oferta de transporte público adequado ou por hábito, tem agravado a situação da saúde da população. Apenas a troca do carro pelo transporte público já traz alguns ganhos porque o indivíduo diminui o sedentarismo. Mas não é suficiente ainda para resultados significativos já que o transporte público não recebe ainda o tratamento ideal no espaço urbano, com poucas linhas de metrô e trem e ônibus ainda com pouca prioridade na maior parte das vias. O ideal, revela a pesquisa, é uma mudança que exigiria maior prazo e planejamento: redes de transporte coletivo com mais investimentos e polos educacionais e de geração de emprego e renda não tão distantes das áreas residências, evitando grandes perdas de tempo nos deslocamentos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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Museu dos Transportes de São Paulo completou 30 anos com média de 40 visitas por dia

Museu Gaetano Ferola

Museu mantém ônibus, trólebus, bondes e outros veículos de diferentes épocas que contam a história dos transportes, além de móveis, passes, documentos e fotos

Museu  completa três décadas e preserva mais de 140 anos da história do transporte  coletivo na cidade

Com entrada gratuita, mais de 40 pessoas por dia visitam os antigos ônibus que circulavam na cidade de São Paulo.

Quem caminha hoje em dia pela capital paulista e vê os grandes ônibus circularem pelas ruas e avenidas, não imagina que há 140 anos o transporte público era bem diferente. Não era motorizado, não tinha portas e a estrutura dos veículos era de madeira. Relíquias  como esta encontram-se em exposição no Museu do Transporte, que se mistura  à história da cidade, revela a São Paulo charmosa do século XIX e retrata a constante evolução do transporte urbano.

A visita ao Museu é gratuita e, em 2014, 14.338 pessoas passaram por lá e conheceram  de perto o primeiro bonde que circulou em São Paulo,  entre 1872 a 1900: uma época de grande transformação urbanística na cidade, com a inauguração da avenida Paulista, em 1891, e do Viaduto do Chá, em 1892.

Uma grande galeria de fotos compõe um dos salões do museu e traz  à memória momentos marcantes da história do transporte  na cidade . O acervo exibe cerca de 1.500 imagens e cartazes publicitários que ilustram as  diferentes  épocas e a evolução dos ônibus na capital  paulista.

A cidade cresceu, a população aumentou, os bairros expandiram e o transporte não parou no tempo.  As ruas  em que antes circulavam os ônibus de madeira, hoje  cederam espaço a coletivos de tecnologia avançada, diferentes modelos e tamanhos, equipados com os mais variados recursos e que , cada vez, mais acompanham a necessidade da população paulistana em tempos de século XXI.

Museu completa 30 anos

Fundado por iniciativa do ex-funcionário da CMTC, Gaetano Ferolla, e enriquecido por doações de colecionadores e instituições, o museu foi inaugurado oficialmente em 20 de março 1985 e atualmente é mantido e administrado pela SPTrans.

Integram o acervo da instituição sete veículos, cerca de 1.500 fotos e 1.500 livros, além de móveis, objetos e documentos sobre a evolução do transporte urbano.

No jardim que recebe visitantes, bancos e luminárias retratam a década de 20. Lá está instalado um bonde de areia, cuja função era espalhar areia nos trilhos para evitar derrapagens dos veículos que carregavam passageiros.

 Atualidade

Nos próximos dias, a mesma cidade que oferecia 90 linhas de ônibus em 1947, irá passar por uma nova fase histórica que marcará o transporte público, o lançamento do edital da nova licitação de ônibus que irá trazer nos próximos anos melhorias  para a operação e a estrutura dos coletivos, como  o  ar condicionado  para todos os veículos.

Visitas

A entrada é gratuita e o museu recebe excursões com agendamento prévio e as visitas são monitoradas para escolas.

Funcionamento:   O Museu do Transporte funciona  de terça-feira  a domingo, das 9h às 17h . Agendamentos podem ser feitos também pelo telefone: (11) 3315-8884.

Assessoria de Imprensa – SPTrans

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DF concedeu benefício fiscal de forma irregular às empresas de ônibus, diz Justiça. Não cabe mais recuso

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Ônibus de empresa que operou no Distrito Federal. Companhias de ônibus vão ter de devolver R$ 49 milhões por concessão irregular de benefício fiscal

Justiça condena DF por conceder benefícios fiscais a empresas de ônibus

Para judiciário, concessão foi irregular. Empresas com dívidas com o INSS e Fisco contaram com benefício, o que contraria a Constituição Federal

ADAMO BAZANI – CBN

A Justiça condenou definitivamente, sem mais possibilidade de recurso, o Distrito Federal pela concessão de isenção fiscal do ICMS sobre o óleo diesel a empresas de ônibus entre os anos de 2008 e 2013.

De acordo com ação civil pública ajuizada pela Promotoria de Justiça e Defesa da Ordem Tributária – Pdot, a concessão do benefício foi irregular, já que empresas com débitos junto ao INSS e ao Fisco do Distrito Federal também gozaram da isenção, contrariando o que determina a Constituição: “a pessoa jurídica em débito com o sistema de seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios”.

A medida adotada pelo Governo do Distrito Federal também desrespeita a Lei Orgânica que deixa claro o impedimento de concessão de benefícios fiscais a empresas devedoras: “o agente econômico inscrito na dívida ativa junto ao fisco do Distrito Federal, ou em débito com o sistema de seguridade social, conforme estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios”.

Agora, além de ser responsabilizada pela irregularidade, a Secretaria da Fazenda deve cobrar uma dívida de R$ 49 milhões das empresas de ônibus, mesmo as que não estão mais operando.

Em 2008, o Governo do Distrito Federal, pela lei 4.242/08, concedeu a isenção do ICMS sobre as operações de venda de óleo diesel para as viações. No ano seguinte, pelo Decreto 30.056/09, o DF dispensou as empresas da obrigação de apresentar ato declaratório para comprovar ausência de débito com o Fisco Distrital e com a Seguridade Social.

Em 2010,  diante da dispensa da obrigação, o Ministério Público entrou com ação na Justiça que foi finalizada somente agora.

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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Haddad cobra na Justiça renegociação de dívidas, podendo ajudar corredores de ônibus

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Ônibus em corredor de São Paulo. Malha é pequena para as demandas da cidade e prefeitura não vai cumprir metas. Entre os principais motivos está a falta de recurso

Com recursos a mais após renegociação das dívidas, cidade teria condições de construir num ritmo maior estruturas para melhoria de mobilidade urbana, como corredores de ônibus e terminais, cujas metas não devem ser alcançadas conforme a prefeitura prometeu para 2016 OUÇA A REPORTAGEM E AS DECLARAÇÕES DE HADDAD NESTE LINK http://cbn.globoradio.globo.com/sao-paulo/2015/04/24/LEVY-SUGERIU-O-CAMINHO-DA-JUSTICA-NO-CASO-DE-RENEGOCIACAO-DAS-DIVIDAS-DIZ-HADDAD.htm SUGESTÃO DE CABEÇA: A cidade de São Paulo entra na Justiça contra o Governo Federal para a aplicação da lei que renegocia as dívidas dos estados e municípios. Segundo o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o fato de o município recorrer à justiça para resolver o impasse foi uma sugestão do próprio Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, diante das dificuldades administrativas alegadas pelo Governo Federal para trocar o indexador sobre os débitos das cidades e estados Texto: O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que foi o próprio ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que apresentou as dificuldades administrativas por parte do Governo Federal para a aplicação da lei que possibilita a renegociação das dívidas de estados e municípios, com a União, fazendo com que a Capital Paulista entrasse na Justiça. A ação, segundo Haddad, é para que haja igualdade de tratamento entre os municípios. No mês passado, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, também cobrou na Justiça a troca de indexadores. SONORA Fernando Haddad ainda afirmou que o Governo Federal não foi pego de surpresa pela ação movida pela cidade de São Paulo. O assunto foi levado à presidente Dilma Rousseff na última reunião da Gente Nacional dos prefeitos que ocorreu neste mês. Haddad disse que a possibilidade de ação judicial por parte de São Paulo foi discutida com Levy mais de uma vez. No dia 31 de março, o ministro Joaquim Levy acenou com a possibilidade de um acordo para que a troca de índices fosse aplicada a partir de fevereiro de 2016. O acordo deveria ser formalizado em quinzes dias, o que segundo a prefeitura de São Paulo, não ocorreu. Haddad deu a entender que não se sentiu completamente seguro com a promessa do Governo Federal em cumprir o acordo e que numa relação entre poderes públicos não bastam boas intenções SONORA Atualmente, por ano, a prefeitura paga 4 bilhões de reais ao Governo Federal. Com a mudança do indexador, a cidade economizaria 1 bilhão e 300 mil reais anualmente. Se a prefeitura conseguir uma decisão liminar favorável, este valor seria depositado numa conta judicial até a regulamentação da lei ou até o esgotamento da ação na Justiça. Hoje o valor total da dívida da cidade é de 62 bilhões de reais, que poderia cair para 36 bilhões com a renegociação prevista na lei. Sendo do mesmo partido da presidente Dilma Rousseff, Haddad quis minimizar os impactos políticos de sua decisão ao afirmar que a questão das dívidas é apartidária. De São Paulo, Adamo Bazani.

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Desempenho econômico no Brasil prejudica Scania mundial, diz relatório da montadora

ônibus Scania

Ônibus da Scania. Baixo crescimento econômico no Brasil afeta a montadora globalmente. Foto: Adamo Bazani.

Desempenho econômico no Brasil prejudica Scania mundial, diz relatório da montadora
Empresa fala em crise econômica e destaca baixo desempenho também na Rússia por causa de indefinições políticas.
ADAMO BAZANI – CBN
O Brasil está entre os cinco maiores produtores de ônibus no mundo, por vezes, atingindo a quarta posição.
Assim, qualquer oscilação no País afeta globalmente os negócios das produtoras, todas multinacionais instaladas no Brasil.
É o caso da Scania, com sede em São Bernardo do Campo, que divulgou nesta quinta-feira, dia 23 de abril de 2015, seu balanço mundial do primeiro trimestre do ano.
Globalmente, faturamento da Scania aumentou para 22,3 bilhões de coroas suecas (SEK), e a receita do primeiro trimestre foi de 2.245 milhões de coroas suecas (MSEK).
O resultado poderia ser melhor se não fossem as situações político-econômicas do Brasil e da Rússia, como explica Scania em nota à imprensa:
“… as encomendas na Europa aumentaram, registrando o nível mais elevado desde 2007. A Scania continua aumentando a participação de mercado, dentre outros fatores, pela transição para a legislação Euro 6 e por uma ampla linha de motores para combustíveis alternativos. O total de encomendas de caminhões comparado ao registrado no trimestre anterior diminuiu ligeiramente durante os primeiros três meses do ano, afetado principalmente pelo desempenho na América Latina e na Eurásia. A demanda no Brasil foi afetada negativamente pela crise econômica e pelas novas condições, muito menos favoráveis, do programa de financiamento subsidiado (Finame), aponta o relatório. Na Rússia, as encomendas diminuíram para um nível muito baixo com perspectivas incertas no país. Na Ásia, as encomendas permaneceram estáveis comparadas aos resultados do trimestre anterior. O negócio de ônibus permaneceu estável, registrando aumento na América Latina e declínio na Ásia, comparado aos números do trimestre anterior. Para motores, permanece o nível elevado do último trimestre do ano anterior, impulsionado pelos resultados na América Latina. A Scania prossegue em seus esforços de longo prazo para aumentar a participação de mercado em serviços e o volume de receitas. O relatório destaca que a montadora sueca mantém foco na ampliação de sua presença na África e Ásia e no primeiro trimestre inaugurou uma planta para produção de ônibus na Índia.”
De acordo com dados da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, neste trimestre, os licenciamentos de ônibus Scania caíram 77,8% no Brasil ante o mesmo período de 2013, com apenas 46 veículos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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Governo Federal limita PAC e outros recursos que beneficiariam transportes

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Obras de corredor de ônibus. Governo Federal anuncia limite de gastos que pode afetar transportes.

Governo Federal limita gastos do PAC e outros setores que beneficiariam transportes

Gastos não devem passar de R$ 50 bilhões até definição de novo orçamento

ADAMO BAZANI – CBN

O Governo Federal publicou nesta quinta-feira, 23 de abril de 2015, no Diário Oficial da União, limites de verbas de órgãos, fundos e entidades do Poder Executivo até que o tamanho dos cortes de recursos no Orçamento deste ano seja definido, o que deve ocorrer em 30 dias.

Os valores que devem ser empenhados até maio podem no máximo ser de R$ 50,089 bilhões.

Entre os investimentos que vão ter recursos limitados estão dos Ministérios do Turismo, das Cidades, Transportes e as liberações do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, todos relacionados direta ou indiretamente à mobilidade urbana e transporte rodoviário de passageiros.

Recursos do PAC e do Ministério das Cidades financiam, por exemplo, corredores de ônibus, linhas de metrô e modais como VLT – Veículo Leve sobre Trilhos e monotrilho.

Já o Ministério dos Transportes atua, por exemplo, em conservação de rodovias e ferrovias e do Turismo pode fomentar iniciativas que aumentem a demanda de passageiros.

Os recursos do PAC foram limitados assim, até a definição do novo orçamento, em R$ 18,983 bilhões.

O Ministério das Cidades só vai poder gastar até R$ 7 bilhões no total até maio.

O limite do Ministério dos Transportes será de R$ 4,154 bilhões.

A medida faz parte dos cortes do Governo Federal para ajustar as contas públicas que não receberam a atenção necessária nos últimos dez anos, com gastos acima da capacidade de investimento. Além disso, com a economia registrando crescimento praticamente zero, a arrecadação do poder público também cai.

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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O papel de cada um no transporte de Curitiba e região

ônibus Curitiba

População depreda ônibus em Araucária revoltada com mudanças geradas pela desintegração financeira entre linhas metropolitanas e municipais. Alterações foram feitas por Urbs e Comec após impasse político sobre subsídios das integrações. Foto: Gazeta do Povo

Papel de cada um nos transportes de Curitiba e região
Neste momento de transição e até dificuldades que o setor de mobilidade enfrenta, é importante que a população saiba qual o papel de cada um nos transportes
ADAMO BAZANI – CBN
Os transportes coletivos de Curitiba e região metropolitana, que são considerados referências até para outros países, passam por um momento de mudança e até mesmo de dificuldades para todos: população, empresas de ônibus e poder público.
A desintegração financeira entre as linhas metropolitanas e as municipais de Curitiba na RIT – Rede Integrada de Transporte fez com que houvesse a separação do sistema de bilhetagem, com o cartão da Urbs só para as linhas da capital e a criação de um passe de papel, que logo será substituído por um cartão eletrônico, para os serviços metropolitanos integrados. Além disso, alguns itinerários tiveram de ser alterados.
Essas mudanças não foram vontade das empresas de ônibus e muito menos da população. O impasse ocorreu por rivalidades políticas entre o governador do Paraná, Beto Richa, do PSDB, e o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, do PDT que levantaram discussões relacionadas aos subsídios necessários para manter as integrações.
A população ficou revoltada. No último dia 13 de abril, por exemplo, duas empresas que atuam em Araucária, um dos municípios onde ocorreram mudanças de linhas e na forma de integração, tiveram ao menos sete ônibus depredados. Os prejuízos foram de R$ 190 mil.
Ações violentas não se justificam em nenhuma hipótese. No entanto, é importante que a população saiba o papel de cada envolvido nos transportes para, de forma civilizada, saber cobrar.
Basicamente, os transportes de Curitiba e região são formados por três frentes.
• Comec – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba: É uma autarquia do governo do Estado do Paraná vinculada à Secretaria do Desenvolvimento Urbano. É justamente a Comec que determina as mudanças de horários, itinerários e integrações das linhas metropolitanas integradas da RIT e das não integradas.
• Urbs S.A – Urbanização de Curitiba S.A.: É uma empresa de economia mista que tem como maior acionista a Prefeitura de Curitiba. Planeja e altera horários, itinerários e integrações das linhas municipais da capital paranaense. Responsável pelo Cartão Urbs. O quadro de acionistas é formado por: – Prefeitura de Curitiba (99%), Fundação Bamerindus de Assistência Social (0,051%), HSBC Seguros S.A. (0,019%), Banestado S.A. Participações, Administrações e Serviços (0,009%) e Instituto de Engenharia do Paraná (0,0015).
• Empresas de Ônibus: são as operadoras do sistema de transportes. Elas recebem as ordens de serviços, com horários, itinerários e pontos de integração de quem gerencia os sistemas, seja a Comec para as linhas metropolitanas e a Urbs para as municipais de Curitiba. Elas são obrigadas a seguir estas determinações e a prestar bons serviços. As companhias são representadas pelo Setransp – Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana. As empresas são as seguintes: Araucária Transporte Coletivo Ltda – Metropolitana, Araucária Transporte Coletivo Ltda – Urbana, Auto Viação Marechal Ltda, Auto Viação Redentor Ltda, Auto Viação Sanjotur Ltda, Auto Viação Santo Antônio Ltda, Auto Viação São José dos Pinhais Ltda, CDD Transporte Coletivo S.A. (Empresa Cristo Rei), Empresa de Ônibus Campo Largo Ltda; Empresa de Ônibus São Braz Ltda, Expresso Azul Ltda – Metropolitana, Expresso Azul Ltda – Urbana, Leblon Transporte de Passageiros Ltda, Orlando Bertoldi & Cia Ltda (Auto Viação Mercês), Reunidas S.A. Transportes Coletivos, Transporte Coletivo Glória Ltda, Transtupi Transporte Metropolitana Ltda, Viação Antonina Ltda, Viação Castelo Branco Ltda, Viação Cidade Sorriso Ltda, Viação Colombo Ltda, Viação do Sul Ltda, Viação Graciosa Ltda, Viação Marambi Ltda, Viação Nobel Ltda, Viação Piraquara Ltda, Viação Tamandaré Ltda, Viação Tinquera Ltda
Claro que como uma engrenagem que o transporte coletivo é na sociedade e na economia, tais frentes não agem de maneira sozinha. Há a influência das empresas nas decisões das gerenciadoras e há também determinações do poder público que são seguidas pelas companhias de ônibus, mesmo que sem a concordância destas operadoras.
No entanto, o passageiro precisa ser mais ouvido, em especial por quem planeja os serviços.
Há poucos canais eficientes de comunicação, restando até mesmo recorrer à imprensa e órgãos como Ministério Público.
Para isso cobrar, no entanto, é necessário sair do senso comum. A população precisa se informar mais, saber sobre o que reclamar de fato e a quem deve fazer isso.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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