Número de vítimas de acidentes de motos cresce 14%, diz HC

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Número de feridos em acidentes envolvendo motos subiu 14% nos últimos 5 anos, de acordo com levantamento realizado pelo Hospital das Clínicas, de São Paulo. Muita tristeza, sofrimento, dor e gastos ao sistema de saúde e para o dinheiro público. Soluções passam por educação, maior preparo e melhor remuneração para os motociclistas, mas também pela punição, já que muitas infrações são cometidas sim por abuso. Foto: Edsom Lopes Júnior / Folhapress

Número de feridos em acidentes de motos sobe 14% em cinco anos
Dados são do Hospital das Clínicas de São Paulo. Número de feridos em acidentes envolvendo outros veículos caiu 35%
ADAMO BAZANI – CBN

O Hospital das Clínicas de São Paulo, um dos maiores complexos de saúde da América Latina e que atende os casos mais graves de acidentes de trânsito, revelou nesta sexta-feira, 13 de abril de 2012, balanço sobre vítimas da violência no tráfego.
De acordo com o levantamento, o número de feridos em acidentes de motos cresceu 14% nos últimos cinco anos completos, entre 2006 e 2011.
Neste mesmo período, o número de atendimentos às pessoas que se envolveram em acidentes com outros veículos, em especial carros de passeio, caminhões e ônibus, caiu 35%.
Só no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, o total de motociclistas representa 44% das pessoas que dão entrada de forma emergencial no setor.
O número de vítimas de acidentes com motos em serviços de reabilitação, como fisioterapia, também significa uma boa parte dos atendimentos públicos.
Não se trata de encarar os motociclistas apenas como custos à sociedade.
Embora estes acidentes consomem boa parte dos recursos públicos na saúde que poderiam ser aplicados em outras especialidades, cujas pessoas perdem a vida até conseguirem um atendimento, é preciso reconhecer vários aspectos, como a importância dos motociclistas na atual dinâmica econômica das cidades, mas também suas imprudências e necessidade de educação e maior preparo dos condutores de motos.
Conseguir uma carta A, para motos, é algo muito simples e as escolas de formação dão apenas noções básicas de operação e pilotagem defensiva. As situações do dia a dia são pouco exploradas.
A remuneração dos motoboys, a maioria dos condutores de moto acidentados, é muito baixa. Para que o serviço possa valer a pena, o profissional necessita fazer várias entregas, com isso corre mais para dar mais tempo.
Porém, colocar o motoboy só como vítima é não explorar o problema sob os mais diversos aspectos.
Não precisa ser nenhum especialista em trânsito para saber que ultrapassar o sinal vermelho é proibido, que fazer conversões à direita estando na faixa da esquerda é arriscado e que tirar “finas” de veículos grandes, como de caminhões e ônibus, é no mínimo desafiar a sorte.
Por isso, remuneração e educação sim! Mas punição, também!.
Os radares devem ser mais preparados para as motos e o poder público trabalha neste sentido.
Hoje, muitos radares ainda captam as imagens da frente do veículo e moto não tem placa na frente. Os que fotografam a traseira têm outro problema: as placas das motos são muito pequenas. Não são raros os casos de motoqueiros preferirem dobrar o corpo ao comando da moto para encobrirem a placa com a mão do que reduzirem um pouquinho a velocidade. Além disso, as placas pequenas dificultam a fiscalização dos agentes de trânsito.
A frota de motos nos últimos anos, devido a incentivos do Governo Federal para compra deste tipo de veículo, e da piora do trânsito e insuficiência dos transportes públicos, além de a moto acabar sendo uma opção de trabalho, cresceu cerca de 300%.

PROGRAMA:

Preocupados com as elevações no número de vítimas de acidentes de motos, profissionais do setor de traumatologia e ortopedia do Hospital das Clínicas, liderados pelo diretor clínico, Jorge dos Santos Silva, criaram o Programa HC em Movimento.
O objetivo é dar orientações de prevenção de acidentes além de tentar minimizar o sofrimento de vítimas e familiares. Muitos dos acidentados ficam inválidos para sempre.
Foi criado um Blog para as pessoas compartilharem histórias, soluções e ideais:

http://www.hcemmovimento.blogspot.com

Nos dias 19 e 20 de abril, o Hospital das Clínicas vai realizar juntamente com o Departamento de Medicina Legal da Faculdade de Medicina da USP que vai debater segurança e saúde no trânsito e a relação do setor com o consumo de álcool e outras drogas.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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Uma resposta para Número de vítimas de acidentes de motos cresce 14%, diz HC

  1. Bruno Quintiliano disse:

    Um grupo que se não tomarem providencias logo vai ficar pior que o dos motoqueiros é o dos ciclistas. A sociedade está ignorando que muitos deles ignoram semáforos, circulam entre os carros e quando vão ter que parar como os outros veículos, vão pra calçada e pra faixa de pedestres.

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