
Ônibus de Dois Andares das Busscar, Panorâmico DD. O Plano de Recuperação da Empresa, que foi uma das maiores encarroçadoras de ônibus do País levanta diversas posições divergentes. Na semana passada, a empresa divulgou a um jornal local que o ritmo de produção estava maior e que desde o início do plano, foram encomendadas mais de 50 carrocerias com entrada prevista de R$ 25 milhões. O Sindicato dos Mecânicos de Joinville contesta o otimismo e diz que as projeções de faturamento, produção e participação no mercado apresentadas pela Busscar estão fora da realidade. Além disso, a entidade contesta o desconto nos valores dos débitos das companhia e denuncia a transferência de 80 trabalhadores de uma subsidiária da empresa para a encarroçadora, sob promessa de serviço, mas que estão ainda sem trabalhar. Foto: Adamo Bazani
Sindicato dos Mecânicos contesta otimismo na Busscar
Entidade trabalhista diz que produção de 52 carrocerias não é suficiente para que haja garantias a credores e trabalhadores e denuncia transferência de funcionários de uma subsidiária do grupo para a empresa principal, que ainda não estão trabalhando
ADAMO BAZANI – CBN
Na semana passada, a Busscar, que já foi uma das maiores encarroçadoras de ônibus do País e desde 2008 enfrenta uma das maiores crises na história de fabricantes do setor, disse ao jornal “Notícias do Dia”, que a empresa está em plena produção, tendo até mesmo cortado as folgas de Carnaval dos cerca de mil funcionários.
Em 31 de outubro de 2011 foi dada uma nova oportunidade para que a companhia, reconhecida na história pelas inovações e qualidade dos produtos, não tivesse a falência decreta. Foi instaurado um Plano de Recuperação Judicial.
Nele são apresentadas diversas projeções de lucro, produção e participações no mercado.
Por este plano, só neste ano, a estimativa é de a marca produzir 1 mil 800 ônibus, com faturamento de R$ 335,6 milhões.
Para isso, a empresa conta com um programa de exportação de ônibus para a Guatemala, financiado pelo BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que seria responsável pela entrada de R$ 140 milhões. O programa ainda não saiu do papel.
Para 2016, a expectativa da Busscar é de faturamento de R$ 1,1 bilhão com cerca de 4,5 mil carrocerias produzidas. Um pouco antes, pelas projeções da Busscar, em 2014, a empresa que hoje acumula dívidas de R$ 1,3 bilhão (entre credores – R$ 700 milhões – e fiscais) já estaria totalmente saneada.
O Sindicato dos Mecânicos de Joinville, que representa os trabalhadores da empresa que já chegou a ter cerca de 5 mil funcionários antes da crise, contesta os números e diz que as projeções estão fora da realidade do mercado.
No plano de recuperação judicial, a Busscar prevê desconto em suas dívidas que vão entre 7% e 95%.
Para os trabalhadores, os descontos variam entre 7% e 37%. As dívidas dos bancos chegariam a ter descontos de 60% e sobre o que sócios e ex sócios teriam direito, o abatimento na dívida atingiria 95%.
Além de não concordar com estes percentuais dos descontos, o Sindicato rebateu nesta quinta-feira, dia 23 de fevereiro de 2012, em nota à imprensa, os dados da matéria divulgada sobre o ritmo de produção da Busscar.
Na matéria, tanto o administrador do Plano de Recuperação da Busscar, Rainoldo Uessler, como representantes da empresa e do escritório de advocacia da marca, disseram estar entusiasmados com o ritmo de produção da companhia.
Desde o início da recuperação até esta semana, a Busscar disse ter produzido 52 ônibus, com entrada garantida de R$ 25 milhões. Transtusa – Transporte de Turismo Santo Antônio e Empresas de Transportes Gidion Ltda, ambas em Joinville, foram as que mais fizeram encomendas. A Busscar disse que os pedidos destas empresas de ônibus já estão em fase de finalização.
O sindicato, todavia, disse que a recuperação necessita muito mais que isso e que ainda não há garantias reais de que os trabalhadores, sem receber salários e direitos há quase dois anos, e os demais credores sejam pagos.
A entidade denuncia também que 80 funcionários da Tecnofibras, TSA, empresa de peças de fibra e plástico pertencente a Busscar, foram transferidos para a encarroçadora, mas que ainda estão sem trabalhar.
O Sindicato dos Mecânicos diz que vai fazer assembléias e reuniões com funcionários da Busscar antes da Assembléia Geral dos Credores da empresa. A representação quer também novos gestores e grupos de investidores à frente da encarroçadora.
ABAIXO, VOCÊ CONFERE A ÍNTEGRA DA NOTA DO SINDICATO DOS MECÂNICOS DA BUSSCAR-
O texto é informativo e não necessariamente expressa a opinião deste veículo de comunicação:
Sindicato dos Mecânicos rebate matéria sobre a
Busscar e desafia empresa a votar o Plano já
“É bonito de se ver”. É assim que começa a matéria publicada em jornal de circulação regional do norte de Santa Catarina no dia 21 de fevereiro. O Sindicato dos Mecânicos sugere que a matéria deveria começar assim: “É bonito de se ver. A Busscar começa a pagar os salários atrasados de todos os seus trabalhadores, muitos sem receber um tostão há dois anos. Mudou a sua diretoria, e também a gestão, e tem novos investidores com potencial para dar suporte a retomada da produção. A gestão passou a ser transparente, as contas a serem pagas em dia, com fornecedores entregando a matéria prima com felicidade por receber os atrasados, e as entregas atuais em dia. Recuperada e saneada desde o seu comando, a Busscar agora sim vive uma nova fase porque passou a trabalhar de acordo com as leis trabalhistas, dando dignidade aos seus trabalhadores, e a se utilizar as mais modernas regras de gestão, tecnologia e planejamento”.
Mas, segundo o presidente João Bruggmann, infelizmente não é assim que a matéria foi escrita, até porque esse quadro de otimismo não existe. “A matéria não condiz com a realidade da empresa. É apenas um artifício para tentar sensibilizar trabalhadores e alguns dos credores que ainda podem ser levados a votar a seu favor na futura Assembleia de Credores que está sendo preparada pela Justiça com o administrador judicial. Como é que pode uma empresa que está com a faca no peito, com um plano de recuperação que não recebeu apoio de ninguém até o momento, dizer que está em franca recuperação?”, contesta Bruggmann.
Mais 80 trabalhadores enganados
Enquanto tenta vender a ideia que está a mil por hora, e que vai contratar pessoas, milhares estão esperando receber seus salários, e até cerca de 80 trabalhadores que tinham sido “emprestados” para a Tecnofibras (TSA), foram mandados para casa porque logo seriam chamados a trabalhar novamente na Busscar. “São oitenta trabalhadores que foram enganados também, estão sem receber nada, nem as diárias, porque acreditaram que voltariam. Estão com dificuldades em pagar aluguéis, comprar alimentos. Talvez não foram chamados porque iriam tirar lugar dos poucos “seguidores” dessa gestão falimentar que afunda a empresa. Mas merecem dignidade, tem direitos garantidos por lei. E eles divulgam que estão contratando? Quem querem enganar com tantas bravatas?”, afirma o presidente João Bruggmann.
Desafio para votar o Plano enrolão já!
O presidente do Sindicato dos Mecânicos vai mais além. Desafia a empresa a votar já o Plano de Recuperação Judicial apresentado, já que a situação econômico-financeira já está a mil por hora. “Desafiamos a Busscar a por em votação já o plano. Afinal, está tudo certo! Os trabalhadores aceitariam receber já seus créditos, conforme a lei da Recuperação, sem problema nenhum. Os mais de mil trabalhadores estariam voltando todos para receber seus salários em dia, e mais, já no valor que é pago hoje como diárias porque isso já e direito adquirido. Enfim, se está tudo perfeito, vamos à votação, e não ficar tentando adiar a data de realização da assembleia de credores por não ter apoio”, dispara Bruggmann.
O Sindicato dos Mecânicos já impugnou o Plano de Recuperação apresentado – uma farsa sem qualquer base econômico-financeira, apenas um monte de intenções frágeis – e prepara as grandes reuniões com os trabalhadores da Busscar, onde serão discutidas as atuais condições, o plano, e a posição que será tomada na assembleia geral de credores. Antes disso, após essas grandes reuniões convocadas pelo Sindicato, a entidade vai realizar uma assembleia geral dos trabalhadores para a tomada de decisão.
“O Sindicato não será conivente com essa farsa em andamento. Queremos a recuperação da Busscar, mas com novos investidores e dinheiro novo, novos gestores e acionistas, que resgatem a credibilidade na empresa. Com um plano factível, verdadeiro, e que contemple os direitos dos trabalhadores. Somos contra a venda dos ativos que estão bloqueados para garantia dos direitos dos trabalhadores. Denunciamos a venda indevida de um dos bens, por ser completamente fora da lei da recuperação judicial. E vamos contestar tudo até o fim porque para nós os direitos dos trabalhadores estão em primeiro lugar”, destaca o presidente Bruggmann.
Reuniões com trabalhadores em março
As reuniões com os trabalhadores da Busscar estão marcadas para a sede central do Sindicato para os seguintes dias e horários: dia 5 de março (segunda-feira) às 9 horas; dia 7 de março (quarta-feira) às 15 horas e dia 17 de março (sábado) às 9 horas. “Após essas grandes reuniões vamos marcar a assembleia geral, por isso é importante que todos compareçam para ter pé da real situação. Nossa orientação é para que continuem a se manter informados pelo Sindicato, e em nosso site ( www.sindmecanicos.org.br) que está divulgando direto sobre a situação e novos passos a serem tomados. O Sindicato está atento às manobras da Busscar para, inclusive, tentar adiar a votação do Plano que ela mesmo apresentou. “Acompanhamos todos os movimentos deles, porque falta credibilidade lá dentro, e com todos os envolvidos, e também com a sociedade joinvilense. Eles querem se manter debaixo deste guarda-chuva da Recuperação Judicial o maior tempo possível”, denuncia Bruggmann.
Texto Inicial: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
Texto da Nota: Assessoria do Sindicato dos Mecânicos de Joinvile.